Observatório das Desigualdades divulga relatório anual: meio ambiente avança, mas desigualdades sociais persistem

O Observatório Brasileiro das Desigualdades, divulgou nesta quinta-feira, 28 de agosto, o terceiro relatório anual, revelando contrastes profundos no país. O documento que monitora 43 indicadores mostra avanços ambientais e econômicos convivendo com a estagnação de desigualdades históricas.

Coordenado pela Ação Brasileira de Combate às Desigualdades (ABCD), o Observatório tem como objetivo monitorar as desigualdades no Brasil por meio de indicadores selecionados. Esses indicadores permitem que governo e sociedade acompanhem avanços e retrocessos, identifiquem prioridades e entendam quais políticas públicas precisam ser aprimoradas. As áreas abordadas incluem educação, saúde, renda, segurança alimentar, segurança pública, representação política, clima e meio ambiente, acesso a serviços básicos e desigualdades urbanas. As desigualdades de raça/cor, gênero e entre regiões brasileiras são eixos transversais de análise. 

A coordenação técnica e elaboração do relatório foram realizadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), sob  comando  de Clemente Ganz Lúcio, assessor técnico, professor e coordenador do Fórum das Centrais Sindicais.

O destaque positivo do estudo vem da área ambiental: redução de 41,3% no desmatamento entre 2022 e 2024, com queda nas emissões de CO². O relatório atribui mudança à vontade política e coordenação entre governos, indicando reversão após anos de retrocessos.

Apesar dos avanços, o relatório expõe a persistência de desigualdades estruturais. A diferença salarial entre homens e mulheres permanece inalterada, recebendo 73% do rendimento masculino. Os feminicídios cresceram de 1.350 em 2020 para 1.492 em 2024, contrariando tendência de queda de outras mortes violentas.

Do total de 43 indicadores analisados, 25 avançaram, 3 retrocederam e 8 permaneceram inalterados. O relatório é ferramenta fundamental para que governos e sociedade identifiquem prioridades no combate às desigualdades brasileiras.

Resumo Geral

Total de indicadores: 43

Indicadores com avanço: 25

Indicadores com retrocesso: 3

Indicadores inalterados: 8

Não puderam ser atualizados: 7 

Lista dos 43 Indicadores por Área Temática

1. EDUCAÇÃO

  1. Percentual de crianças de 0 a 3 anos matriculadas em creche → Avanço
  2. Taxa de analfabetismo funcional (15-64 anos) → Inalterado
  3. Taxa de escolarização líquida – Ensino Médio → Avanço
  4. Taxa de escolarização líquida – Ensino Superior → Avanço

2. SAÚDE

  1. Mortalidade infantil (óbitos <1 ano por 1.000 nascidos vivos) → Avanço (estabilizou em 2023)
  2. Gravidez na adolescência (nascidos vivos de mães ≤19 anos) → Avanço
  3. Mortalidade materna (óbitos por 100 mil nascidos vivos) → Avanço
  4. Óbitos por causas evitáveis (5-74 anos) → Retrocesso
  5. Taxa de mortalidade proporcional por faixa etária → Avanço

3. RENDA, RIQUEZA E TRABALHO

  1. Rendimento médio de todas as fontes → Avanço
  2. Taxa de desocupação → Avanço
  3. Razão de rendimento (1% mais rico / 50% mais pobres) → Avanço
  4. Razão de rendimento (10% mais ricos / 40% mais pobres) → Avanço
  5. População em pobreza (%) → Avanço
  6. Estoque de riqueza dos mais ricos (1%, 0,1%, 0,01%) → Não atualizado (dados FGV)
  7. Alíquota efetiva média do IRPF por faixa de renda → Inalterado
  8. Incidência tributária (diretos/indiretos por décimo de renda) → Inalterado (dados POF 2017-18)

4. CLIMA E MEIO AMBIENTE 

  1. Emissão de CO² per capita → Avanço
  2. Emissão de CO² por mudança de uso do solo → Avanço
  3. Desmatamento em terras indígenas e áreas protegidas → Avanço
  4. Pessoas em risco geológico alto/muito alto → Retrocesso

5. DESIGUALDADES URBANAS E ACESSO A SERVIÇOS

  1. Despesas com transporte público (% da renda) → Não atualizado (POF 2017-18)
  2. Domicílios em déficit habitacional (%) → Inalterado
  3. Domicílios em habitação precária (%) → Inalterado
  4. Domicílios em coabitação (%) → Avanço
  5. Domicílios com ônus excessivo de aluguel (%) → Inalterado
  6. População com esgotamento sanitário (%) → Avanço
  7. População com abastecimento de água (%) → Avanço
  8. População com coleta regular de lixo (%) → Avanço
  9. Usuários de internet (%) → Avanço

6. REPRESENTAÇÃO POLÍTICA 

  1. Razão: negros na população vs. legislativos → Inalterado
  2. Razão: mulheres na população vs. legislativos → Avanço
  3. Razão: negros na população vs. executivo municipal → Avanço
  4. Razão: mulheres na população vs. executivo municipal → Avanço
  5. Razão: negros na população vs. judiciário → Não atualizado (dados CNJ)
  6. Razão: mulheres na população vs. judiciário → Não atualizado (dados CNJ)

7. SEGURANÇA PÚBLICA

  1.  Taxa de mortes por intervenção policial → Avanço
  2. Taxa de homicídios de jovens (15-29 anos) → Avanço
  3. Razão: negros na população vs. população prisional → Inalterado
  4. Taxa de feminicídio → Retrocesso

8. SEGURANÇA ALIMENTAR

  1. Desnutrição infantil (baixo peso para idade) → Retrocesso (piora entre indígenas)
  2. Desnutrição em idosos (baixo peso) → Inalterado
  3. Famílias em insegurança alimentar moderada/grave → Avanço


Indicadores com Retrocesso:

Óbitos por causas evitáveis (Saúde),

Pessoas em risco geológico (Meio Ambiente)

Desnutrição infantil (Segurança Alimentar, especialmente entre indígenas)

Indicadores Inalterados:

Taxa de analfabetismo funcional (Educação)

Alíquota efetiva do IRPF (Renda)

Incidência tributária (Renda)

Déficit habitacional (Urbano)

Habitação precária (Urbano)

Ônus excessivo com aluguel (Urbano)

Razão: negros vs. população prisional (Segurança)

Desnutrição em idosos (Segurança Alimentar)


Indicadores Não Atualizados:

Estoque de riqueza (Indicador 15)

Despesas com transporte (Indicador 22)

Representação de negros no judiciário (Indicador 35)

Representação de mulheres no judiciário (Indicador 36)

Dados da POF e SISVAN (especificados no relatório)

O estudo completo pode ser lido na íntegra em:

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