Os servidores do Departamento Estadual de Trânsito do Maranhão (Detran/MA) iniciaram uma paralisação de 48 horas nesta terça-feira (21), em protesto contra descontos abusivos e ilegais em seus salários. O movimento é liderado por uma Comissão de Negociação, constituída legalmente em assembleia geral da categoria, uma vez que a diretoria do Detran/MA nega a legitimidade do Sindicato dos Servidores do Detran do Maranhão (Sinsdetran-MA), filiado à Pública Central do Servidor.
Segundo o sindicato, os cortes salariais foram aplicados indiscriminadamente como retaliação, sem oportunizar a ampla defesa e o contraditório, atingindo até mesmo servidores que estavam em gozo de férias ou licença-prêmio. A denúncia é direcionada à diretoria da autarquia, sob o comando do diretor-geral, Diego Rolim, e do diretor administrativo, Coronel Francisco Caetano.
Embora os descontos tenham sido o estopim para a nova paralisação, o conflito central é o descumprimento de um acordo firmado em 2024, que previa a extensão e a equiparação da Gratificação por Atividade de Trânsito (GAT) para a categoria.
O Sinsdetran-MA acusa a gestão da autarquia de agir com a total conivência do governo de Carlos Brandão (PSB), implantando um “clima de ditadura” no órgão. A entidade aponta que, historicamente, as paralisações no Detran eram resolvidas por meio do diálogo, mas a gestão atual responde com práticas administrativas abusivas e autoritárias.
De acordo com o Sinsdetran, os servidores tentaram negociar a GAT em reuniões com a Casa Civil e a Secretaria de Monitoramento de Ações Governamentais (Semag), mas os prazos para uma proposta não foram cumpridos. Em seguida, a diretoria do Detran se recusou a marcar uma reunião com o sindicato, alegando falta de registro, apesar da entidade possuir 45 anos de história.
O sindicato denuncia ainda que a diretoria recebeu uma associação recém-criada, com cerca de 30 membros e sem registro conhecido, dando andamento célere às suas pautas.
A entidade critica também a disparidade de tratamento, apontando que, enquanto servidores de carreira são penalizados, cargos comissionados recebem “aumentos generosos”. O Sinsdetran cita como exemplo uma gratificação superior a R$ 10.400 paga ao diretor-geral, valor equivalente ao salário de quase três servidores efetivos de nível médio.

